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ANÁLISANDO O ADVERSÁRIO...
ANÁLISANDO O ADVERSÁRIO...


No futebol actual, e refiro-me acima de tudo ao futebol profissional, assiste-se a uma era em que os clubes procuram dissecar ao máximo as características dos seus adversários. As equipas técnicas, quando não são apenas os adjuntos a efectuar essa tarefa, passaram a contar com mais um elemento. Os dados recolhidos são obviamente importantes, mas só serão realmente úteis se conseguirem reflectir com a melhor proximidade possível os padrões de organização colectiva da equipa adversária. O conhecimento individual de cada jogador é importante, mas na minha opinião não faz sentido algum se não for inserido no contexto complexo que é a EQUIPA.

Por exemplo, de que forma pode um treinador adaptar o seu processo defensivo baseado na informação de que os Médios Alas adversários são muito rápidos? Ou de que o Ponta de Lança segura muito bem a bola e remata de meia distância? Parece-me que informações deste género são inúteis, até porque normalmente todos os Alas são ou deveriam ser rápidos e todos os Pontas de Lança seguram ou deveriam segurar bem a bola (hipoteticamente). Portanto, no processo de treino, o treinador que possua uma análise qualitativa deste género não poderá nunca operacionalizar as situações práticas (exercícios) do seu microciclo para explorar por um lado pontos fracos, e por outro, minimizar ao máximo os aspectos mais fortes do seu oponente.


Antes de mais julgo que se deve começar por entender e assimilar uma premissa básica:o todo não é igual à soma das partes, é antes um processo complexo e que só assim pode ser entendido. A partir daqui, tem de haver concentração e acima de tudo alguma atenção selectiva (salvo as excepções dos esquemas tácticos – lances de bola parada) ou seja, não me interessa registar tudo o que o adversário faz mas sim tudo o que o adversário faz muitas vezes. Separamos, ou tentamos separar, aquilo que são os processos e rotinas da equipa (treinados) em todos os momentos do jogo e aquilo que são situações casuais causadas por situações imprevisíveis (e que geram respostas imprevisíveis também – influência da criatividade) que sempre ocorrem nos Jogos Desportivos Colectivos e especificamente no futebol.



Assim, existem alguns itens que considero como os mais importantes na observação de um adversário:


a) A análise geométrica da disposição dos jogadores em campo é fundamental (o sistema de jogo), mas o que nós queremos saber, onde nós queremos chegar, é à “cabeça do treinador adversário” (o modelo de jogo). Desta forma, considero que a disposição dos jogadores em campo num esquema é fundamental para se conseguir perceber as dinâmicas que desse sistema resultam. As substituições também podem ser um indicativo das opções e alterações tácticas que o treinador pode, normalmente, efectuar;


b) O comportamento da equipa em posse de bola, no geral e com diferenciação de sectores. No 1/3 do campo (na zona de construção), é importante saber se a equipa faz circulação de bola ou se faz jogo directo. Se aposta num tipo de jogo mais directo, ou intermédio rápido, interessa saber quem são as primeiras estações mais comuns (quais os jogadores que recebem e como agem a seguir). Com posse de bola na zona de criação é igualmente importante saber se optam primeiro pela profundidade ou, por outro lado, pela amplitude de jogo, procurando criar rapidamente desequilíbrios nas faixas laterais (com quantos jogadores? Com dinâmicas de mobilidade dos laterais? Dos interiores?). Finalmente, na zona de finalização, quantos jogadores (e quem) aparecem na área? É uma equipa com rotinas de remate de meia distância? Todos estes aspectos são importantes para entendermos que tipo de jogo é que a equipa produz.


c) Transição Defensiva e Defesa Propriamente Dita. Nenhuma equipa consegue ter posse de bola durante todo o jogo, então é fundamental perceber-se de que forma é que a equipa se coloca e se organiza após a perda de bola nas diferentes zonas do campo. Pressionam perto da área com espaço curto entre linhas ou rapidamente recuam em bloco baixo, deixando o adversário ter posse de bola no 1/3 do terreno? Pressionam alto mas a defesa raramente sobe, deixando espaço entre linhas? Quando a bola é perdida no meio campo, procuram fazer recuar todos os jogadores para trás da linha da bola, ou deixam sempre jogadores perto da última linha adversária? Defendem em zona, ou de forma mista? Enfim, procuremos primeiro as respostas e teremos quantas perguntas quisermos.


d) Transição e Método de Jogo Ofensivo. É fundamental que se saiba de que forma é que a equipa processa a posse de bola, obviamente, nas diferentes zonas do campo. Procuram sempre jogar rápido em determinados jogadores? Começam sempre por fazer circular a bola, apoiando-se num tipo de ataque mais posicional? Existe muita mobilidade, isto é, trocas visíveis entre jogadores e migração com e sem bola para zonas específicas do campo? O primeiro objectivo claro da equipa é dar profundidade ao jogo, com coberturas ofensivas? Exploram quase sempre o contra – ataque?



e) Esquemas Tácticos (lances de bola parada). Sabemos que um jogo aparentemente dominado pode ser perdido num livre indirecto, num canto, ou até mesmo num lançamento aos 89 minutos. Por estas razões, é determinante saber-se dentro da medida do possível quais as rotinas que a equipa repete ou executa mais vezes neste tipo de lances. Defendem os cantos à zona, deixando apenas 1 ou 2 jogadores rápidos na frente? Quantos jogadores colocam nos livres ofensivos? Em que zonas aparecem os jogadores que normalmente fazem golo nestas jogadas? Os lançamentos perto da área são jogados de forma directa para um apoio?
f) Jogadores Mais Influentes nas Transições.
g) Movimentações Padrão – Mais Repetidas.
h) Etc…


Enfim, estes são alguns dos aspectos que poderão interessar aquando da recolha de dados. É certo que uma equipa tem o seu modelo de jogo e as suas rotinas específicas e que não deve alterar toda a sua “personalidade táctica” em função do adversário. Nesse caso estaria apenas a treinar para reagir, e não a treinar para agir. Julgo no entanto que o mais importante é modelar os exercícios de forma a colocar-lhes a complexidade e as adversidades que o adversário normalmente apresenta, exercitando assim possíveis respostas a determinados problemas e criando possíveis problemas para lacunas que o adversário revele. Aumenta-se a previsibilidade do jogo oposto e tenta-se incutir a mínima no nosso.
 
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